Todo amante largado, toda mulher traída, todo abandonado sonha. Mas não com o dia em que vai finalmente esquecer daquele que lhe partiu o coração com requintes de crueldade, nem mesmo com a volta do seu grande amor, de braços abertos, na beira da praia.
O que o abandonado quer mesmo é que o outro finalmente caia em si e se dê conta da pessoa incrível que perdeu. Que no sexo oral o atual raspe os dentes e ela suspire de saudade, que no Imagem e Ação a nova namorada não saiba o significado de uma palavra e ele lamente a falta de referências, que quando o miojo queimar, seu algoz lembre daquela massa a bolonhesa. Que aquilo sim é que era amor.
A má notícia é que isso raramente acontece.
Para todas as dores de corno, com vocês, a maior canção de recalque já escrita e cantada. (Ah, se eu soubesse embedar um vídeo…)
agora, tudo tem que ser inspirador. cursos, pessoas, roupas. tudo muito novo - ou vintage. e de preferência recheado do muito amor que andamos desejando aos outros a torto e a direito.
às vezes, dá uma raivinha de tanta boa intenção que anda pelo mundo. porque é a mesma que te fecha na sinaleira, que fura a fila no supermercado, que te dá uma patada sem motivo. bora colocar em prática toda essa inspiração?
eis um poemaço do fernando pessoa que é MUITO genial. pra INSPIRAR.
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Arre, estou farto de semideuses! Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado,
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Onde é que há gente no mundo?
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
há alguns dias, cheguei de madrugada em uma lavagem 24 horas (que anuncia em um pequeno cartaz “lava-se carros, bota-se PIERCING”), repleta de motoristas de táxi, querendo eliminar um pequeno acidente causado por regurgitação do banco do carona.
estacionei e o lavador de plantão foi extremamente bem educado. expliquei o acidente e ele perguntou se era para limpar só o vomíto (assim mesmo, com o acento no i). argumentei que já que estava ali, e sem sono, poderia ser a lavagem completa. porém, me dei conta de que estava absolutamente sem dinheiro - horas antes, tentei sacar algum em um caixa eletrônico do banrisul, que estava estragado.
antes que o rapaz pusesse os baldes e esponjas em ação, achei por bem comentar que não reunia a quantia necessária para o banho do palio, mas que deixaria MEU CARTÃO DE VISITA (que ideia) com meu celular e que no dia seguinte bem cedinho voltaria ao local com o dinheiro.o responsável pela lavagem disse que não haveria problema, no entanto precisaria consultar o patrão. ligou para o proprietário, que foi categórico: nem pensar. “se fosse por mim dona não tinha problema nenhum”, se desculpou.
nada mais me restou fazer, a não ser manobrar o carro e partir, com as janelas abertas na madrugada geladinha de porto alegre.no dia seguinte, tinha uma reunião com um possível cliente pela manhã. joguei um pano sobre o acidente, que curtiu a noite toda no quentinho do carro.
após a reunião, fui a uma segunda lavagem. “vômito, é?” comentou o lavador. “sim, mas, em minha defesa, não me pertence”, argumentei. (não que nunca o tenha feito. certa vez, entrei em um táxi, vomitei sobre mim mesma e apaguei imediatamente, antes mesmo de dar o endereço. quando acordei, o motorista tinha dado umas 30 voltas no quarteirão, com o taxímetro rodando. saiu barato).
o lavador me alertou que poderia ser necessário retirar o banco, citando um exemplo: “uma vez uma mulher veio aqui e disse que o sobrinho tinha mijado no banco. mas quando fui ver era mijo de velha e tivemos que tirar o banco pra lavar”. achei adequado e o autorizei caso fosse necessário.
o carro foi lavado (eles esqueceram o cinto, mas eu mesma resolvi) e hoje cheira à essência mais artifical de morango já produzida.não sei que lição esta história encerra. mas ide em paz e que o senhor vos acompanhe.
(mais uma velhariazinha do blog antigo. na real, aconteceu em 2010)
Na ultima incursão do Lula ao Rio Grande como presidente, ele fez de novo – não falou com a imprensa. Todos aboletados, amontoados num brete, cansados e com fome, apanhando de fotógrafos e cinegrafistas, e ele passa, abana, entra no carro e se vai. Cansada e com preguiça de perguntas bombásticas que pudessem mudar o texto que já tinha escrito mentalmente, fiquei satisfeita. Liguei pra redação, disse o que tinha e fui escrever e almoçar ao mesmo tempo, depois catar um wi-fi pra enviar, depois voltar pra Porto Alegre e fim de papo.
Tudo muito diferente da primeira vez que vi o Lula como jornalista. Foi em 2000 (ou era 1999?), numa sede que o PT gaúcho mantinha na José Bonifácio, em frente à Redenção. Eu estava lá pelo jornal Folha do Sul, um pequenino diário que, esquizofrênico, tinha pretensões estaduais, ficava em Caxias do Sul e tinha uma sucursal em Porto Alegre, da qual fazia parte. Lembro que, bem foquinha, levei uma pergunta encomendada da redação. E tava morrendo de medo de fazê-la.
A coletiva era numas classes brancas de colégio, umas três, unidas e cobertas com uma toalha branca. O Lula estava sentado exatamente na minha frente, o Tarso do lado direito dele, será que ele era prefeito? Vou checar, peraí. Era, recém-eleito (lembro bem que o Lula, nesse dia, disse que era mais alto que o Tarso – o que não me parece verdade). E claro, tinha os outros jornalistas de rádio, TV, jornal, mas que somavam umas 10 pessoas, no máximo. O Brasil era do Real, o presidente era o FHC e o Lula, aquele cara que sempre se candidata e nunca ganha. Lá em São Paulo, ganhava força uma dissidência - o Eduardo Suplicy, ponderando que o PT poderia nunca ganhar a presidência se o Lula insistisse em ser candidato, já que tentara em 1989, 1994 e 1998, sem êxito, pedia prévias – queria ter uma chance. E a minha pergunta encomendada era esse calo do Lula. “Lula (naquela época dava pra ser assim), tu não considera que talvez o Suplicy tenha um ponto? Que podes ter que dar a chance pra outro para o PT conseguir ganhar?” Depois que todos os jornalistões fizeram suas perguntas, eu, morrendo de medo, mas com muito mais medo de voltar pra redação sem a resposta, fiz a pergunta. Ele olhou bem pra mim e disse: “Eu já saio numa campanha com 30% das intenções de voto. Como posso abrir mão destes 30%? Como desapontar estes 30%?” E aí veio 2002, e todo mundo sabe o que aconteceu – we had a winner.
É provável que tão cedo não seja simples entrevistar o Lula frente a frente, numa classe de colégio. Mas ainda vou fazer isso, mas não bem uma entrevista, mais para uma conversa longa e sem pergunta encomendada. Porque poucos personagens da história do Brasil foram tão emblemáticos – e este está vivo, e saudável e é meu contemporâneo. Acho improvável que tão cedo um presidente (ou uma) mova multidões como o Lula, seja ovacionado na maioria dos lugares onde pisa, aplaudido a cada cinco palavras num discurso – que até meio repetitivo pode ser, como hoje. Um jornalista, ainda que seja como eu, pouco utópico e que não se acha o bastião da verdade, tem que aproveitar quando é um observador da história. E o Lula é história, fresquinha. E, espero, ao alcance das mãos.
(nenhum talento e muita cafonice. mas o blog é meu, ué.)
Aconteceu.
Parei de sentir falta do amor. A ideia era parar de sentir falta só de você. Mas algo deu errado. O corte fundo virou cicatriz forte e dormente. Não tem nada a ver com me sentir só. Às vezes, me sinto. Não tem nada a ver com não querer beijo, abraço. Eu quero. É mais parecido com esquecer como era. O amor. De tanto te esquecer, esqueci tudo junto.
ainda estou do mesmo jeito que as 50 mil pessoas que estavam no beira-rio domingo passado, meio grogue, de ressaca, com a sensação de ter vivido um grande amor e de ele ter chegado ao fim: só ficaram as lembranças (boas).
mas a vida continua. na sexta, um novo show vai tomar o lugar do sir. sem o mesmo glamour e provavelmente sem a mesma magia. mas cada amor é um, não é mesmo?
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tenho a saúde frágil, é um fato. ou melhor, tinha, antes de extrair as amígdalas, graças ao IPE sou uma pessoa feliz. antes da cirurgia, tinha amidalite 4 ou 5 vezes por ano, regadas a amoxil - e mais recentemente a benzetacil, injeção -claramente inventada por deus - que cura desde amidalite até sífilis numa perfurada só.
pois desde esse tempo tinha problemas com o remédio, a ser tomado de 8 em 8 horas. impossível encaixar três doses de remédio no período em que estou acordada. até que nesta semana, anos depois, voltei a ter de tomar antibiótico. e fiz um (des)arranjo mental: tomar às 8h, às 16h e às 20h. isso mesmo, oito da manhã, quatro da tarde e oito da noite e assim foi feito, por três dias. e eu imaginando “como será que eu nunca cheguei nessa combinação de horário perfeita?”
é isso. passei três dias achando que das 16h às 20h havia oito horas de distância. mereço uma overdose de amoxil.
toda trabalhada no exibicionismo porque estou no blog do Concurso Universitário de Jornalismo da CNN, graças a um convite irrecusável de @larimagr.
eis o link http://www.concursocnn.com.br/2010/blog/como-achar-aquele-personagem-que-voce-procura.html

